A Ead é realmente um tema polêmico. Há debates que vão desde a sua abreviatura - EAD, EaD, Ead, ED, se ocorre crase ou não - no tocante à palavra distância, até o uso da plataforma - moodle, e-college - etc. E o que me chama a atenção é o calor das defesas, a favor e contra.
Nesta quinta-feira, dia 04, participei do 7º Fórum Universitário Pearson cujo tema central foi
A inovação no ensino superior, com a presença de palestrantes de peso, pelo currículo e pelo conhecimento sobre o assunto chamado EaD. Estiveram lá os professores Fredric Litto, Fábio Câmara, Gregório Ivanoff e as professoras Laura Coutinho, Edméa Oliveira, Gilda Helena e Teresa Jordão. No sábado, dia 06, participei dos debates promovidos pelo professor Valente, da UGF sobre
A Web 2,0 e o second life na educação. E o que estes eventos têm em comum? A distância de quem acredita na Ead como uma ferramenta revolucionária, atual e imprescindível para a evolução e melhorar a qualidade do conteúdo do nosso aluno daqueles que nem querem ouvir falar dela. Pensam e acreditam que as relações entre aluno e professor devem ser construídas no cotidiano, no corpo-a-corpo, olho-por-olho, presencial.
Eu ainda estou formando minha opinião. Ñem tanto a tico, nem tanto a teco.
Reconheço e aceito a fala da Profª Teresa Jordão "Com as tecnologias, ou o professor está dentro ou o professor está fora." Entretanto, esta frase corrobora o que Bauman aponta em seu livro "Vida Líquida" ao dizer que "as identidades estão sendo montadas e assumidas" (p.09) , assim como em "Diante de tais competidores, os demais participantes do jogo, particularmente os que não estão ali por vontade própria, que não "gostam" de "estar em movimento" ou não podem se dar a este luxo, têm pouca chance. Para eles, participar do jogo não é uma escolha, mas eles também não têm a opção de ficar de fora." (p.11) A pergunta que suscito é: Será que a Ead está sendo "vendida" corretamente aos seus atores? A resistência dos professores chamados pelo Prof. Valente de GLS (giz, lousa e saliva) procede? Foi dito a eles, foi explicado o que é a EaD? Ou é mais uma ferramenta que os mestres estão encarando como "enfiar goela abaixo"?
Nesta seara, sinto falta de uma aproximação entre os dois polos. Sinto a falta de uma preocupação com a linguagem, com a semântica. O prof. Fredric chamou os alunos usuários da web de "promíscuos, diversificados e voláteis" e usou o termo
multi-tasking para generalizar o conhecimento adquirido pelo estudante. E ele é o presidente a ABED - Associação Brasileira de Ensino a Distância.
Percebo a boa vontade das milhares de pessoas que apostam e acreditam na Ead como alavanca das mudanças sociais, que querem mudanças para um mundo melhor. Contudo, ainda há muito a se esclarecer, muito a fazer, muito a caminhar. Não por culpa dos "professores presenciais", mas pela cultura de se pensar que todos têm que ter o conhecimento que nós temos, pelas posturas impostas pelo capitalismo de que tudo e todos são consumidores/consumidos, onde a imortalidade adota o nome de reciclável.
E pensar em educação sem o dedo incongruente do capital é o mesmo que dizer que aquela pessoa morreu porque entrou na frente de uma bala perdida.
Antes que eu me esqueça, não ocorre crase na expressão a distância, salvo se esta aparecer determinada. Vejam os exemplos:
A educação a distância como meio de inclusão social (refere-se à educação)
A educação à distância de mil quilômetros (refere-se ao espaço físico)