O rinoceronte e a coruja
Certa vez, a coruja estava dando sua aula com todo carinho e dedicação. Ela não admitia lecionar sem amor e procurava sempre ter uma novidade, um novo autor, um novo livro para indicar ou comentar com seus alunos.
Estava sempre estudando, querendo o novo, pois acredita que o melhor caminho para a liberdade do homem é através da educação. É admirada e querida por todos, tanto pela sua dedicação como pelo seu conhecimento. Não há dimensões que não conhece. Não há formas de ensinar que desconheça, seja presencial ou a distância.
É uma coruja diferente. Se fosse humana, seria facilmente comparada àquela "mãezona" que nos acolhe, que queremos ter sempre perto para ouvir uma palavra amiga, para dizer o que queremos ouvir. Também seria facilmente comparada com a vovó, que tanto nos ensina com suas experiências e histórias.
É uma coruja tão amiga, tão doce que deixa suas corujinhas (ou seus corujinhas, se preferir) e o Sr. Corujão para nos ensinar, para nos mostrar que é possível sim, que nós podemos se levarmos a sério sua proposta.
E vocês acreditam que ainda tem uns passarinhos que reclamam? São aqueles que ainda não aprenderam a voar como ela ou com ela.
E o que o rinoceronte tem com esta fábula? (ou será uma crônica? Sei lá!)
É porque ele manda na escola da selva.
Numa de suas aulas, a coruja foi interrompida sutilmente e delicadamente por ele sobre um assunto que deveria ser tratado em particular.
Sem bater ou pedir licença, este quadrúpede entrou na sala e disse:
- Não admito que mudem o horário! Recebi várias mensagens e você não pode fazer isto. Eu quero os alunos no horário!
- Mas eu também não sabia. Isto ficou acertado antes e eu não tive culpa. Respondeu a coruja, envergonhada por ser repreendida na frente de seus alunos.
- O horário eu peguei na secretaria - intrometeu-se um aluno.
- Suas aulas estão marcadas para outro horário - falou outro.
Diante disto, o rinoceronte apertado por sua gravata, saiu e disse que resolveria na secretaria.
Nossa amada coruja ficou sem respiração.
O que fazer?
Foi profissional e não passou sua decepção para os alunos (mas acho que não conseguiu...). E deu sua aula, com a mesma determinação, com a mesma sapiência, com o mesmo amor. Mostrou que é e não está professora.
Quanto ao rinoceronte, fica aqui a moral da história: As pessoas são lembradas pelas coisas boas que fazem e que respeito não se impõe, se conquista.
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